ECONOMIA • TECNOLOGIA • TRABALHO
// MERCADO DE JOGOS • REPORTAGEM NEWS 27001
BRASIL JOGA.
MAS TAMBÉM CRIA E EXPORTA.
Com mais de mil estúdios mapeados, milhares de profissionais e uma base enorme de jogadores, a indústria brasileira de games deixou de ser promessa. O desafio agora é transformar escala em empresas duradouras, propriedade intelectual e empregos qualificados.
Durante anos, o Brasil foi apresentado ao mundo apenas como um grande consumidor de videogames. Essa fotografia ficou incompleta. Há hoje um ecossistema nacional que desenvolve jogos próprios, presta serviços para produções internacionais, forma profissionais e disputa espaço nas principais vitrines globais.
O estudo da Abragames e da Nordicity estimou 1.042 desenvolvedoras no país. É quase dez vezes o número identificado uma década antes. A maior parte é formada por pequenas e médias empresas, estrutura que favorece criatividade e agilidade, mas enfrenta dificuldades para acessar capital e atravessar os longos ciclos de produção.
As empresas brasileiras de desenvolvimento geraram receita estimada em US$ 251,6 milhões em 2022. Entre as fontes de faturamento, jogos de entretenimento lideram, enquanto projetos educacionais, publicidade interativa e serviços especializados ampliam as possibilidades de negócio.
O Brasil já não está apenas do outro lado da tela. Há brasileiros programando, desenhando, testando, publicando e exportando jogos.
O mercado combina cultura e tecnologia. Um jogo pode mobilizar roteiro, música, ilustração, programação, engenharia de dados, tradução, acessibilidade e distribuição digital. Quando a propriedade intelectual permanece com o estúdio, personagens e universos podem ainda se expandir para cinema, animação, livros, produtos e eventos.
O crescimento não elimina os gargalos. Estúdios relatam dificuldade para financiar protótipos, contratar profissionais experientes, divulgar seus títulos e negociar com plataformas e publicadoras internacionais. Hardware caro e formação desigual também limitam quem consegue entrar nessa cadeia.
O Marco Legal dos Games, sancionado em 2024, reconheceu a atividade como vetor econômico e cultural, incluiu profissões do setor e abriu caminhos para formação, inovação e fomento. A regulamentação e a execução concreta dessas possibilidades serão decisivas para que a lei saia do papel.
TALENTO BRASILEIRO PARA O MUNDO
A cadeia reúne milhares de profissionais e pode trazer mais receita e conhecimento ao país.
UMA AGENDA PARA SÃO PAULO
Formação, infraestrutura, investimento e acesso podem transformar potencial em desenvolvimento.